Quem tem os direitos do Brasileirão 2026 e por que virou dois negócios
Não existe mais “o dono dos direitos do Brasileirão”. Existem dois. Desde que os clubes se dividiram em dois blocos comerciais, a Libra e a Liga Forte União, o campeonato passou a ser vendido em dois pacotes separados, negociados por grupos diferentes, com emissoras e plataformas diferentes. Em 2026, isso significa que o jogo do seu time pode estar num lugar e o do rival em outro, no mesmo domingo.
Para o torcedor, é confusão de controle remoto. Para quem olha o futebol como negócio, é a mudança estrutural mais importante da década no mercado brasileiro de mídia esportiva.
Quem está em cada bloco
Segundo levantamento do Lance publicado em 28 de janeiro de 2026, a divisão na Série A ficou assim:
Libra: Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Remo, Santos, São Paulo e Vitória.
Liga Forte União: Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Mirassol e Vasco.
A distribuição é praticamente meio a meio, e não separa grandes de pequenos: há clube de torcida nacional dos dois lados. Isso importa porque nenhum dos blocos consegue vender “o Brasileirão inteiro”, e nenhum consegue ser ignorado por um comprador que queira cobrir o campeonato.
Onde cada bloco é transmitido
Aqui a diferença de estratégia fica evidente.
A Libra vendeu de forma concentrada ao Grupo Globo, que distribui em TV aberta, SporTV, Premiere, Globoplay e GE TV. Um comprador, uma negociação, uma régua de exposição.
A Liga Forte União fragmentou: Globo, Record, CazéTV e Prime Video, combinando TV aberta, streaming gratuito e streaming pago.
São duas apostas opostas sobre o futuro. A Libra apostou em previsibilidade: um parceiro forte, contrato consolidado, menos risco de execução. A LFU apostou em alcance e concorrência: mais compradores disputando, presença onde a audiência jovem já está, e menos dependência de um único grupo.
Por que a fragmentação aconteceu agora
A resposta curta é que apareceu comprador fora da televisão tradicional.
Enquanto o pacote de direitos esportivos teve um único destino natural durante décadas, hoje existe quem compre e entregue escala fora da TV. A CazéTV alcançou 118,7 milhões de contas únicas no YouTube durante a Copa de 2026, contra 55,6 milhões na Copa do Catar, um crescimento de 114% em quatro anos, segundo dados divulgados pela Exame em julho de 2026. Detalhamos esse movimento em 104 jogos no YouTube: o que a CazéTV provou na Copa de 2026.
Quando existe um segundo comprador capaz de entregar audiência em escala, o vendedor ganha poder de barganha. A divisão em dois blocos não criou essa alternativa; ela existiu porque a alternativa apareceu.
Quanto isso representa no bolso dos clubes
Direitos de transmissão e premiações somaram R$ 4,9 bilhões para os 20 clubes da Série A em 2025, segundo o levantamento anual da EY divulgado em julho de 2026. É a maior linha de receita do futebol brasileiro, à frente de marketing e patrocínio, que ficou em R$ 3,9 bilhões.
Uma observação sobre os valores dos contratos: circulam estimativas de mercado sobre quanto cada bloco arrecada por temporada, mas não localizei esses números confirmados em fonte primária, então prefiro não repeti-los aqui. O que está documentado é o agregado da EY acima.
O ponto de gestão é outro, e independe do valor exato: quando a maior fonte de receita de um clube depende de uma negociação coletiva renovada a cada ciclo, o planejamento de longo prazo fica refém de uma mesa que o clube não controla sozinho.
O que muda para clubes, marcas e criadores
Para os clubes, a fragmentação aumenta a receita potencial e o custo de coordenação. Dois blocos significam duas estratégias de exposição, dois calendários de negociação e, para o torcedor, mais assinaturas para ver tudo.
Para as marcas, o inventário ficou mais variado. Anunciar em transmissão de streaming gratuito com público jovem é um produto diferente de anunciar na TV aberta, com métricas e preços distintos.
Para criadores e novas ligas, o recado é o mais importante: direitos esportivos deixaram de ser um mercado fechado. Quem construir audiência própria e provar entrega vira comprador em potencial, como já discutimos em Como funcionam os direitos de transmissão no futebol alternativo.
Conclusão
O Brasileirão virou dois negócios dentro de uma competição só. A Libra apostou na segurança de um comprador consolidado, a Liga Forte União apostou na disputa entre plataformas. Nenhuma das duas está obviamente certa, e o resultado vai aparecer na próxima renovação, não nesta temporada.
O que já está claro é que a televisão perdeu a exclusividade presumida sobre o futebol brasileiro. Quem controla audiência agora senta na mesa de negociação, mesmo sem ter concessão.
Perguntas frequentes
Quem tem os direitos de transmissão do Brasileirão 2026?
Dois blocos de clubes vendem separadamente. Os direitos da Libra ficaram com o Grupo Globo (TV aberta, SporTV, Premiere, Globoplay e GE TV). Os da Liga Forte União foram divididos entre Globo, Record, CazéTV e Prime Video, segundo o Lance em janeiro de 2026.
Quais clubes estão na Libra e quais na Liga Forte União?
Na Libra: Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Remo, Santos, São Paulo e Vitória. Na Liga Forte União: Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Mirassol e Vasco.
Por que o Brasileirão é vendido em dois pacotes?
Porque os clubes se organizaram em dois blocos comerciais com estratégias diferentes de negociação. Um optou por vender de forma concentrada a um único grupo; o outro por fragmentar entre TV aberta, streaming pago e streaming gratuito.
Quanto os clubes recebem de direitos de transmissão?
Direitos de transmissão e premiações somaram R$ 4,9 bilhões para os 20 clubes da Série A em 2025, segundo a EY. É a maior linha de receita do futebol brasileiro. Os valores por bloco circulam como estimativa de mercado e não estão confirmados em fonte primária.
Como conseguir direitos de transmissão de futebol?
Direitos são negociados com quem detém o mandato de venda: a liga, o bloco de clubes ou a federação da competição. Para competições menores, a negociação é direta com o organizador. O que mudou é que o comprador não precisa mais ser uma emissora: plataformas e canais digitais com audiência comprovada passaram a disputar os mesmos pacotes.
